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Escultura

A decoração externa é pouco variada. Sob os beirais e cornijas, como um suporte decorativo, sucedem-se os cachorros, lisos ou decorados, e, desde os meados dos século XIII, as arcaturas. Colunas embebidas nas paredes, pilastras, molduras horizontais, arcos e colunelos de janelas e frestas concentram-se nas absides, algumas das quais com arcadas cegas, que também decoram o interior de algumas capelas-mores.

Os tímpanos, esculpidos, vazados ou gravados, apresentam pouca variedade de temas. A cruz, o Cristo em majestade e o Agnus Dei são os motivos dominantes, simplificados e toscos. Animais (serpentes, lobo, grifo, dragão, leões), ornatos de laçaria e a árvore da vida (tímpano-dintel da fachada de S. João Baptista de Tomar e portal no norte de Orada), um bispo (Rio Mau) e determinados pormenores simbólicos, imagens rudes de ideias e crenças, possuem maior valor iconográfico que artístico. Admite-se que nos tímpanos lisos tivesse havido pinturas e esgrafitos, cujos vestígios desapareceram.

A fantasia decorativa afirma-se sobretudo nas arquivoltas, colunas, impostas e consolas dos portais ou nas janelas, frestas e rosáceas, atingindo a maior diversidade nos capitéis dos claustros, naves e frontarias. Embora os arranjos ornamentais fitomórficos sejam os mais numerosos, não faltam os de feição geométrica e zoomórfica, escasseando a figura humana. Todos se combinam entre si, em fantástica profusão, em estilizações irreais de vária procedência: hispânicas, francesas (da Provença, de Auvergne e, sobretudo, da Borgonha), moçárabes e mudéjares (em especial no românico B de Coimbra), romanas, visigóticas, asturianas e até castrejas.

Sobrevivências proto-históricas, regionais e locais, ecos de Bizâncio e da Ásia Central (através de Roma e dos Bárbaros) ou do mundo céltico fundiram-se em grau variado nessas estranhas formas. E não podemos esquecer as escolas de iluminadores dos séculos XII e XIII, como as de Santa Cruz de Coimbra e de Lorvão, cujos manuscritos deram modelos aos escultores.

Além da escultura simbólica e decorativa em colunas, colunelos, capitéis, frisos, impostas, mísulas, tímpanos e cachorros e das estátuas adossadas aos portais (Bravães, Rubiães, Paço de Sousa), chegaram-nos algumas obras de escultura tumular. Em regra, os sarcófagos, colocados fora das igrejas até meados do século XIII, eram simples arcas de pedra sem ornatos. Uma lápide tumular de Paço de Sousa com a figura de um bispo (báculo voltado para fora), de relevo mais gravado que esculpido; o túmulo de Egas Moniz, na mesma igreja; a arca com rosetas hexafoliadas do Museu Soares dos Reis, e as figuras jacentes de bispos de S. Pedro de Rates e do Museu de Martins Sarmento são toscamente lavradas em granito. Em Alcobaça, com primores de execução permitidos pelo calcário, há quatro túmulos que podemos considerar romano-góticos.

Imagens de madeira só conhecemos quatro: as do Museu de Guimarães, da matriz de Chaves, da Senhora da Azinheira e uma da Colecção Vilhena. Das de pedra apenas ficou a memória.

Almeida, 1976:19-21

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