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Arte Românica

Designação do estilo de arte que se desenvolveu na Europa, durante os séculos XI ao XIII, atribuída em 1825 pelo arqueólogo Arcisse de Caumont [1] – no seguimento de uma sugestão apresentada, em 1817, por Gerville [2] – «pelo uso do arco de volta perfeita e da abóbada, característicos da arquitectura romana» [3].

«O Românico, (…), irrompeu por toda a Europa Ocidental quase ao mesmo tempo; consiste numa ampla variedade de estilos regionais, com numerosos pontos comuns, mas sem uma fonte central. Sob esse aspecto, é mais parecido com a arte da Europa bárbara que com os estilos de corte, embora nele se incluam a tradição carolíngio-otononiana juntamente com muitas outras, menos evidentes, como os elementos tardo-romanos, paleocristãos e bizantinos, algumas influências islamíticas e a herança céltico-germânica» [4].

Janson [5] defende que o «que amalgamou todos estes componentes diversos num estilo coerente, durante a segunda metade do século XI, não foi uma força única, mas uma variedade de factores que provocaram um novo surto de vitalidade por todo o Ocidente. O Cristianismo impusera-se finalmente na Europa: os Vikings, ainda em grande parte pagãos nos séculos IX e X, quando os seus piratas aterrorizavam as Ilhas Britânicas e o Continente, entraram no redil católico, não só na Normandia mas até na própria Escandinávia; o califado de Córdova desintegra-se em 1031, divido em pequenos Estados, facilitando a reconquista cristã da Península Ibérica; e os Magiares tinham-se fixado na Hungria».

Assistiu-se a um crescente entusiasmo religioso – com peregrinações e cruzadas – e à reabertura de importantes rotas comerciais mediterrânicas, bem como ao reavivar da vida urbana, quando as cidades imperiais, semi-abandonadas durante a Alta Idade Média, «começaram a readquirir importância, enquanto outras novas surgiram por toda parte, e uma classe média urbana, de artífices e mercadores, se estabelecia acima dos camponeses e abaixo da nobreza senhorial, como um importante factor na sociedade da Idade Média» [6]. Ao contrário do que acontecera durante o Império Romano, faltava uma autoridade política centralizadora, espaço que Janson [7] considera ter sido ocupado pela «soberania espiritual do Papa», dando como exemplo o facto de o «exército internacional que respondeu ao apelo do Papa Urbano II para a Primeira Cruzada» ser «mais forte do que poderia ser qualquer outro reunido para o efeito por um governante secular».

Elias e Elias, 2010

 

Referências bibliográficas:

[1] Silva e Calado, 2005:321

[2] Almeida, 2001

[3] Silva e Calado, 2005:321

[4] Janson, 2005:279

[5] Idem

[6] Ibidem

[7] Ibidem

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